
Anchor text no SEO: tipos, boas práticas e erros que custam caro
Anchor text (ou texto âncora) é o trecho clicável de um link: as palavras sublinhadas que o leitor vê e que o Google lê para entender sobre o que é a página de destino. No SEO, ele pesa em duas frentes. Nos links internos, ajuda o buscador a mapear o seu site e a distribuir relevância entre as páginas. Nos backlinks, vira um sinal de reputação, e também um dos primeiros lugares onde o Google procura manipulação. A regra que resolve quase tudo: escreva o link para um leitor humano, descrevendo com precisão o que ele encontra depois do clique. Abaixo, os tipos, exemplos, proporções e os erros que mais vemos em sites brasileiros.
Principais pontos
- O texto âncora diz ao leitor e ao Google o que existe do outro lado do link. A recomendação oficial é que ele seja descritivo, razoavelmente conciso e relevante para as duas páginas.
- Em links internos você controla tudo: use âncoras descritivas e variadas, e elimine os “clique aqui” e “saiba mais”.
- Em backlinks, âncoras repetidas com a palavra-chave exata são um padrão típico de link spam, especialmente em guest posts e campanhas de artigos em grande escala.
- Não existe porcentagem oficial de distribuição de âncoras. O que protege um site é um perfil natural, com predominância de marca, URL e descrições variadas.
- Na busca com IA, o contexto ao redor do link e as menções consistentes à sua marca contam tanto quanto a âncora em si.
Índice
- O que é anchor text e por que o Google lê cada palavra
- Os tipos de texto âncora
- Como escolher o anchor text certo, passo a passo
- Links internos: onde você tem controle total
- Backlinks: quando o texto âncora vira sinal de manipulação
- Como é um perfil de âncoras saudável: um exemplo prático
- Anchor text na era das respostas de IA
- Nossa visão: a âncora é consequência, não estratégia
- Quando faz sentido delegar
- Perguntas frequentes
- Fontes
O que é anchor text e por que o Google lê cada palavra
Em HTML, um link tem duas partes: o endereço de destino, no atributo href, e o texto entre as tags. Em <a href="https://exemplo.com.br/tenis-corrida">tênis para corrida de rua</a>, o anchor text é “tênis para corrida de rua”. É ele que aparece na tela, e é ele que o leitor usa para decidir se clica ou não.
Para o Google, é um rótulo. Na documentação de boas práticas de links do Google Search Central, o buscador explica que usa links como sinal para avaliar a relevância das páginas e para encontrar novas páginas a rastrear. O mesmo documento recomenda um texto âncora descritivo, razoavelmente conciso e relevante tanto para a página onde está quanto para a página de destino. As palavras antes e depois do link também importam, porque dão contexto: o Google lê a frase inteira, não só a âncora.
Dois detalhes técnicos que muita gente ignora:
- O link precisa ser rastreável. O Google segue links criados com a tag
<a>e o atributo href. Botões que só funcionam com JavaScript, sem href, podem não ser seguidos. - Imagem também tem âncora. Quando uma imagem é o link, o texto alternativo (atributo alt) faz o papel do anchor text. Uma logo com alt vazio é um link mudo.
Em fevereiro de 2023, o Search Engine Land noticiou que o Google publicou novas boas práticas de links, ampliando um documento que antes tratava só de rastreamento para incluir texto âncora e links internos.
Os tipos de texto âncora
Os profissionais de SEO costumam classificar as âncoras em seis tipos. A nomenclatura não é oficial do Google, mas ajuda muito a auditar um site e a planejar links.
| Tipo | Exemplo (para uma loja de café especial) | Quando faz sentido | Risco |
|---|---|---|---|
| Marca | “Café Serra Alta” | Menções à empresa, imprensa, parceiros | Muito baixo |
| Correspondência exata | “café especial em grãos” | Uso pontual, quando a frase pede exatamente isso | Alto se repetido em backlinks |
| Correspondência parcial | “nossa seleção de cafés especiais do Cerrado” | Links internos e citações editoriais | Baixo |
| URL pura | “cafeserraalta.com.br” | Fontes, rodapés, diretórios | Muito baixo |
| Genérica | “clique aqui”, “saiba mais” | Quase nunca | Baixo para spam, ruim para SEO e acessibilidade |
| Tópica ou de entidade | “como a altitude muda a acidez do café” | Conteúdo informativo, artigos de blog | Baixo |
Por que diversificar
Links conquistados de forma natural chegam misturados: jornalistas citam a marca, blogueiros colam a URL, fóruns descrevem o produto com as próprias palavras. Quando 40 sites apontam para a mesma página com a mesma frase comercial, isso não parece espontâneo, porque não é.
A diversificação começa antes do primeiro link. Um nome de marca curto e claro facilita âncoras de marca e de URL limpas, que são justamente as mais seguras. Se você ainda está escolhendo ou avaliando um domínio, vale conferir estes critérios de qualidade de um nome de domínio, como legibilidade, clareza e facilidade de memorização: um domínio fácil de citar vira, por consequência, uma âncora natural.
Como escolher o anchor text certo, passo a passo
Use este roteiro sempre que for criar um link, interno ou externo:
- Abra a página de destino e resuma em poucas palavras o que ela entrega. Se for um guia de preços de energia solar em Campinas, a âncora deve dizer isso, e não “veja mais”.
- Escreva a frase primeiro e encaixe o link depois. O link deve cair sobre as palavras que já fazem sentido na frase. Se você precisa reescrever a frase para caber a palavra-chave, a âncora está forçada.
- Mantenha o tamanho entre duas e oito palavras, em geral. Uma palavra só costuma ser vaga; uma frase inteira sublinhada cansa a leitura.
- Evite repetir a mesma âncora para páginas diferentes. Se “consultoria tributária” aponta para três URLs distintas, o Google e o leitor ficam sem saber qual é a página principal do tema.
- Leia a frase em voz alta. Se soa como anúncio ou como lista de palavras-chave, reescreva. Lembre também de quem usa leitor de tela e navega pela lista de links: dez links chamados “clique aqui” não dizem nada fora de contexto.
Um exemplo concreto. Errado: “Para saber mais sobre SEO para empresas B2B, [clique aqui]”. Certo: “Reunimos o que realmente gera leads qualificados em SEO para B2B em um guia separado.” A segunda versão diz ao leitor o que ele vai ganhar e dá ao Google um rótulo preciso.
Links internos: onde você tem controle total
Nos links internos a decisão é toda sua, e é aí que otimizar o anchor text rende mais com menos risco. Práticas que aplicamos em auditorias:
- Toda página importante deve receber links de outras páginas do site. Página sem link interno é página órfã, difícil de rastrear e quase invisível.
- Use âncoras descritivas e variadas para a mesma página. Para uma página de serviço de contabilidade para clínicas, alterne entre “contabilidade para clínicas médicas”, “como funciona a contabilidade de um consultório” e “nosso serviço contábil para a área da saúde”. A variação é natural e cobre buscas relacionadas.
- Aproveite o conteúdo informativo para apontar às páginas comerciais. Um artigo que responde dúvidas do público é o lugar certo para levar o leitor até a página de serviço, com uma âncora que diga o que ele vai encontrar.
Uma fonte ótima de âncoras internas são as perguntas reais do público. As dúvidas que aparecem na caixa “As pessoas também perguntam” do Google mostram como o leitor formula o tema com as próprias palavras; explicamos como explorar isso no nosso guia sobre como usar a caixa de perguntas do Google no SEO.
Backlinks: quando o texto âncora vira sinal de manipulação
Aqui mora o risco. As políticas de spam do Google definem link spam como criar links para ou a partir de um site principalmente para manipular rankings. Entre os exemplos listados estão a compra e venda de links para ranqueamento, trocas excessivas de links, links com muitas palavras-chave escondidos em widgets e campanhas de artigos ou guest posts em grande escala com links de âncora rica em palavras-chave.
O Google já tinha dado esse alerta de forma direta em 2017, no post sobre links em campanhas de artigos em grande escala, que cita artigos de colaboradores, guest posts e posts de parceiros publicados com links de âncora otimizada. O padrão suspeito é sempre o mesmo: muitos textos, em sites diferentes, com a mesma âncora comercial para a mesma página.
E a detecção ficou mais automática. No anúncio da atualização de link spam de dezembro de 2022, o Google explicou que passou a usar o SpamBrain, seu sistema de prevenção de spam baseado em IA, para detectar tanto sites que compram links quanto sites usados para repassar links. O efeito mais comum não é uma punição visível, e sim a neutralização: o link simplesmente deixa de contar.

Links pagos e patrocinados
Link pago não é proibido. O que o Google exige é transparência. A página sobre como qualificar links externos orienta usar rel=“sponsored” para links patrocinados ou pagos, rel=“ugc” para conteúdo gerado por usuários, como comentários e fóruns, e rel=“nofollow” quando você não quer associar o seu site à página de destino. No lembrete sobre qualificação de links publicado em 2021, o Google acrescenta que sites que não marcam links comerciais corretamente podem sofrer ações manuais ou algorítmicas. Se uma publicação oferece “post patrocinado com link dofollow e palavra-chave na âncora”, o pacote vem com o risco embutido.
Como é um perfil de âncoras saudável: um exemplo prático
Imagine uma clínica de fisioterapia em Belo Horizonte com 50 domínios apontando para o site. Um perfil que parece natural, e que usamos aqui apenas como ilustração, poderia ficar assim:
| Tipo de âncora | Domínios | Exemplos |
|---|---|---|
| Marca | 20 | “Clínica Movimento”, “a equipe da Clínica Movimento” |
| URL pura | 10 | “clinicamovimento.com.br” |
| Tópica ou parcial | 12 | “fisioterapia para lesões no joelho”, “reabilitação pós-cirúrgica em BH” |
| Genérica | 5 | “neste site”, “aqui” |
| Exata | 3 | “fisioterapia em Belo Horizonte” |
O Google nunca publicou uma porcentagem ideal, e qualquer “fórmula” do mercado é estimativa. O que importa é a lógica: marca e URL dominam porque é assim que as pessoas citam empresas, e a palavra-chave exata aparece pouco porque raramente alguém escreve exatamente a frase que você quer ranquear.
Agora compare com um perfil problemático: dos mesmos 50 domínios, 35 usam “fisioterapia em Belo Horizonte”. Esse é o desequilíbrio que sistemas automáticos de detecção procuram. Se o seu perfil se parece com este, pare de criar links com essa âncora, invista em menções de marca e, em casos graves, avalie com um especialista em SEO o uso da ferramenta de rejeição de links do Google.
Anchor text na era das respostas de IA
A busca no Brasil deixou de acontecer só na lista de links azuis. O estudo “Do SEO ao GEO”, da Monks com a Semrush, indica que o ChatGPT responde por 45% do tráfego de IAs no país, e conclui que fontes confiáveis e conteúdos bem estruturados têm prioridade nas respostas geradas por IA.
O que isso muda para o texto âncora? Três coisas:
- O contexto pesa mais que a âncora isolada. Sistemas generativos leem o parágrafo inteiro. Uma menção à sua marca dentro de uma frase que explica o que você faz e para quem vale mais do que um link solto com palavra-chave.
- Menções sem link também contam como sinal. Quando fóruns, comunidades e artigos citam a sua empresa de forma consistente, associada ao mesmo tema, você constrói a associação entre marca e assunto que as IAs usam ao recomendar.
- Âncoras de marca deixam de ser “desperdício”. Para a visibilidade em IA, o link com o nome da empresa é exatamente o sinal que você quer multiplicar.
Aprofundamos esse tema no guia de SEO para IA e GEO para ser citado por sistemas generativos e na introdução sobre o que é generative engine optimization e por onde começar.
Nossa visão: a âncora é consequência, não estratégia
Na Velveteen, tratamos o anchor text como resultado de um trabalho bem feito, não como alavanca. Quando alguém se preocupa com “a proporção ideal de âncoras”, quase sempre o problema está antes: pouco conteúdo que mereça ser citado, páginas comerciais sem links internos e uma marca ausente das conversas onde o público pesquisa.

Por isso trabalhamos em várias frentes ao mesmo tempo. A análise técnica garante links rastreáveis e uma estrutura interna coerente. A publicação diária de artigos relevantes cria páginas que outros sites têm motivo para citar, e cada artigo novo traz um link interno com âncora descritiva. Também cortamos o que mais vemos em auditorias: “clique aqui” espalhado pelo blog e âncoras que prometem uma página e levam a outra. Os backlinks que construímos vêm de contextos pertinentes ao tema do cliente, onde a âncora nasce da frase, e não o contrário. E a presença em fóruns e comunidades gera menções de marca que nenhuma fórmula de porcentagem consegue simular.
Nossa leitura é que, com o crescimento da busca por IA, a diversidade natural de âncoras deixou de ser só uma proteção contra penalidades. Ela passou a ser a própria prova de autoridade: uma marca citada por muita gente, com palavras diferentes, sobre o mesmo assunto, é uma marca que o Google e o ChatGPT têm segurança em recomendar.
— Duarte Braga
Quando faz sentido delegar
Sem equipe dedicada a SEO, cuidar de links internos, âncoras, conteúdo e backlinks toda semana vira tarefa que fica para depois. O plano Velveteen SEO custa R$ 2.499 por mês e inclui a operação completa: análise técnica, artigos publicados diariamente, backlinks em contextos relevantes e presença ativa em comunidades, sem exigir que você execute nada. Veja como funciona o serviço de SEO e visibilidade em IA da Velveteen.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre anchor text e link?
O link é a conexão completa entre duas páginas, formada pelo endereço de destino e pelo texto clicável. O anchor text é só a parte visível e clicável desse link. Você pode ter o mesmo endereço com âncoras diferentes, e cada uma comunica algo diferente ao leitor e ao Google.
Usar a palavra-chave exata na âncora dá penalidade?
Não por si só. Usar a palavra-chave exata de vez em quando, quando ela é a forma natural de descrever a página, é normal. O problema é o padrão: muitos backlinks com a mesma âncora comercial, sobretudo vindos de guest posts ou links pagos, que é exatamente o que as políticas de spam do Google descrevem.
Qual o tamanho ideal de um texto âncora?
Não há um número oficial. O Google pede âncoras razoavelmente concisas e descritivas, e na prática algo entre duas e oito palavras costuma bastar para dizer o que existe na página de destino sem sublinhar uma frase inteira.
Como descobrir quais âncoras apontam para o meu site?
No Google Search Console, abra o relatório Links e confira a seção de texto do link mais comum nos links externos. Exporte a lista, agrupe as âncoras por tipo e veja se a sua marca e a URL dominam. Se uma palavra-chave comercial aparece em excesso, vale investigar de onde vêm esses links.
Fontes
- Boas práticas de links para o Google, Google Search Central
- Google publishes new link best practices, Search Engine Land
- Políticas de spam da Pesquisa Google, Google Search Central
- A reminder about links in large-scale article campaigns, Google Search Central Blog
- December 2022 link spam update, Google Search Central Blog
- Qualificar links externos para o Google, Google Search Central
- A reminder on qualifying links and our link spam update, Google Search Central Blog
- Do SEO ao GEO: estudo revela mudanças no comportamento de busca na era da IA, Adnews